Mãe preta ( Black mama) pintura brasileira

Mãe preta ( Black mama) pintura brasileira
Nossas africanidades Camaçari: Daniel S. Gomes

domingo, 25 de setembro de 2011

Negra desconsciência, branca iginorância

Quando se fala de racismo, preconceito racial e igualdade racial, no Brasil, as elites intelectual, política e burguesa logo vêm com o discurso de democracia racial e que no Brasil, não há preconceito racial, que vivemos numa sociedade multirracial, sem conflitos. Será? Quando no título deste texto eu uso uma palavra “nova” des-consciência, estou na verdade fazendo provocação a uma reflexão sobre o papel do negro e do branco na sociedade. Por exemplo, que papel deve exercer o educador na consciência e na subconsciência de alunos negros e brancos? Como posso, eu, professor agir para que meu aluno branco se dispa do papel de agente colonizador em relação ao aluno negro ? Como meu aluno negro pode se sentir descolonizado em relação ao aluno branco ? Não é tarefa fácil para professores. O professor branco neste caso precisa educar seu olhar e percepção a fim de perceber conflitos que existem numa sala de aula entre alunos negros e brancos. Precisa perceber nas entrelinhas e intra-sala as falas, os gestos, as afirmações e negações a que os alunos negros são submetidos dentro do processo educativo. Precisa ter sensibilidade, disponibilidade e autoridade moral para corrigir posturas e mediar conflitos sem submeter alunos brancos e negros a constrangimentos, agravando ainda mais o fosso aberto por uma postura racista. Pergunte-se: eu, professor , como me vejo? Será que de alguma forma estou contribuindo quer com meu silêncio, quer de forma ostensiva para que alunos da população negra sejam submetidos a humilhações na sala de aula? Como posso ser afetado por isso? Quando determino a formação de equipes de trabalho, observo se há tendência na formação de grupos étnicos na sala? Deixo que meus alunos sejam críticos ou hostis em seus comentários sobre o trabalho de grupos menos favorecidos? O papel fundamental da escola e do professor é bem definido por Botelho: O cotidiano escolar apresenta-se, desse modo, marcado por práticas discriminatórias que condicionam a percepção negativa das possibilidades intelectuais de negros e propicia, ao longo dos anos, a formação de indivíduos – brancos e negros – com fortes idéias e comportamentos hierarquicamente racializados (CAVALLEIRO, 1998; BOTELHO, 2000).
Baseando-se nesse conceito cabe ao professor negro indagar-se: quando me olho no espelho vejo-me um negro ? Se me vejo, tenho a consciência de que se aqui cheguei foi por romper barreiras, superar limitações e que posso ajudar meus alunos negros a fazerem o mesmo? Mesmo não tendo havido tantas dificuldades, será que consigo identificar as dificuldades de meus alunos ? Será que não tive mesmo dificuldades ou a des-consciência não me permitia ver entraves e preconceitos a que fui submetido até chegar aqui? Professores negros serão o espelho na sala de aula onde alunos brancos vejam o cidadão negro detentor de um saber que talvez na sua concepção e de seus pais deveria pertencer a um branco e deve se impor neste sentido não minimizando seus feitos com postura subserviente. Para o aluno negro o professor negro deverá ser um modelo a ser seguido. Alunos, normalmente têm no professor um modelo; esse professor negro deverá tentar extrapolar este modelo, não só vigiando e corrigindo posturas preconceituosas, mas também, criando posturas afirmativas para o aluno negro, sem naturalmente hostilizar ou rebaixar o aluno branco, dando de forma democrática oportunidades de expressão ao aluno negro , geralmente sem voz na sala de aula, criando mecanismos de integração, descolonizando por assim dizer a cabeça do aluno negro. Segundo Vera Neusa Lopes: A proposta pedagógica deve voltar-se, assim, para um trabalho continuado de valorização das pessoas, povos e nações, num combate permanente às idéias preconcebidas e às situações de racismo e discriminação com que nos defrontamos no dia-a-dia. Este texto não pretende nem poderia esgotar todas as possibilidades de dialogar sobre o que ocorre dentro do espaço escolar sobre tudo na sala de aula, mas abre um leque importante para as discussões da Oficina: O cotidiano da criança negra na sala de aula.
Prof. Daniel Silva Gomes IFBA/ Camaçari /Bahia/Brasil
PALAVRAS CHAVES: des-consciência, subconsciência, intra-sala, sensibilidade, disponibilidade, autoridade moral, espelho, posturas preconceituosas.
Fontes:
Educação anti-racista : caminhos abertos pela Lei Federal nº 10.639/03 / Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. – Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005. 236 p. (Coleção Educação para todos)
1. Relações raciais. 2. Relações étnicas. 3. Currículo.
Superando o Racismo na escola. 2ª edição revisada / Kabengele Munanga, organizador. – [Brasília]: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005. 204p.: il. 1. Discriminação Racial. 2. Ideologia dos livros didáticos

Continente famélico


O africano dorme com seu filho

Nas areias do deserto,

Dorme eternamente,

com a fome

que o transformou

em semente,

eles fecundam uma terra

que não será fértil

para plantação de vegetais

só para enterrar mais

e mais

africanos famintos.

Daniel Silva Gomes 13/04/2011

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Grandma Joan

Author (Daniel Silva Gomes IFBA Professor of the Arts - Camaçari)
My Grandmother was the daughter of slaves, was born during the rule of law of the free womb,
therefore "free", was true passion for the Princess Elizabeth,( freed the slaves) was of São Felix.
Joana as she was known there for Cachoeira and Sao Felix walked with his eternal
black crocheted shawl, mourning she used until her death, admitted no clothes
had a predominance of white, I remember when I started working with it
a piece of white fabric and black, she was thrilled with this, but
a dress just did not put it my cousin Gilcélia, alias Gilcélia teacher,
I explained why and I gave another piece black and white, so was Joana.
When she came to Bahia, that is what she called Salvador, was in our
house, the house of Mr Felipe, my father, white man who love her, he treated her:
My Old Lady, called my mother and Mis Vicentina the youngest daugther of Grandma.
She manufactures cigar to make she used a litlle knife , tobacco
wrapped in newsprint and noble sheet for wrapping the cigar, and glue made
with remainder of bread that were driven. He sat on a stool behind the front door
and watched the movement and the people who passed us that we were not
quiet at no time, watched the educated people who greeted
and those without.
One day she and I were sitting in the doorway when he passed a girl
White who lived in the streets behind our square, needless to say
even looked at us, my Grandma left the girl back and said, "so proud and
rude but you saw the her thick noose? There is she descend of the negroes!!1. "I was about 11 years
and I loved the girl because she has the beautiful green eyes and blond hair,
Grandma was disappointed because the myth of perfection that had
me. I started watching it since then and no longer felt so beautiful, and even
hurt because she did not speak with us, just went to rescue her in the near future when
I was a teenager, and became a handsome man, so she began to get interested in me, but your nose will not let me get close.
Grandma was a fantastic figure tales told stories of my grandfather who was a player
guitar and partying.
But these stories are for another time.

Vovó Joana Publicada na Fundação Palmares (espaço do leitor)

Autor: Daniel Silva Gomes; Professor de Artes do IFBA - Camaçari


Minha Vó era filha de escravos, nasceu durante a vigência da lei do ventre livre,
portanto, "livre", tinha verdadeira paixão pela Princesa Isabel, era de São Felix.
Dona Joana como era conhecida lá por Cachoeira e São Felix andava com seu eterno
xale negro de crochê, alias usou luto ate sua morte, não admitia nenhuma roupa que
tivesse a predominância do branco, lembro-me quando comecei a trabalhar dei a ela
uma peça de tecido branco e preto, ela ficou muito emocionada com o presente, mas
não fez um vestido apenas guardou-o minha prima Gilcélia, alias professora Gilcélia,
me explicou o porque e eu dei outra peça preta e branca, assim era Dona Joana.
Quando ela vinha pra Bahia, ou seja como ela chamava Salvador, ficava em nossa
casa, na casa de Seu Felipe, meu pai, homem branco e apaixonado por ela que a
chamava de Minha Velhinha e Dona Vicentina minha mãe é a filha caçula de Vovó.
Ela trazia os apetrechos para fazer charuto, a faquinha de sete tostões, o fumo
enrolado em papel de jornal e as folha nobres para encapar o charuto, e a cola feita
com resto de pão que nos deixávamos. Sentava num tamborete atrás da porta da rua
e ficava vendo o movimento as pessoas que passavam e a nós que não ficávamos
quietos em nenhum instante, observava as pessoas educadas que a cumprimentava
e as que não.
Certo dia estávamos ela e eu sentados na porta de casa quando passou uma moça
branca que morava numa ruas atrás da nossa na Barros Reis, nem preciso dizer que
nem olhou para nós, minha Vó deixou a moça se afastar e me disse: "tão orgulhosa e
mal educada mas você viu a taboca do nariz dela? Ali tem". Eu devia ter uns 11 anos
e achava a moça muito bonita por causa dos olhos esverdeados e dos cabelos louros,
fiquei decepcionado porque Vovó derrubara o mito da perfeição que essa moca tinha
pra mim. Passei a observá-la desde então, e já não a achava tão bonita, e até
magoado porque ela não falava conosco, só fui resgatá-la num futuro próximo quando
fiquei adolescente, e me tornei um "moreno" de não se jogar fora, então ela passou a
me dar bola, mas seu nariz não me deixou se aproximar.
Vovó era uma figura fantástica contava historias causos de meu avô que era tocador
de viola e festeiro.
Mas esses causos são pra outra ocasião.

Tia Julia.Publicada na Fundação Palmares (espaço do leitor)

Autor(Daniel Silva Gomes Professor de Artes do IFBA - Camaçari )

Tia Julia que figura! Baixinha em torno de 1,46 de altura ou baixura? Era o ser
humano mais divertido que eu já conheci, tinha uma risada rasgada que se sacudia
toda, sempre tinha uma malandragem na voz, tipo: quando estávamos arrumados: "ta
todo lorde"... "pela hora" ..."epa rei" e assim por diante, não me lembro de vê-la triste
ou se queixando da vida.
Tia Julia era mais velha que mainha, e por isso não a respeitava tanto como a
seriedade de mainha exigia, sobretudo com relação nós, que éramos os únicos
sobrinhos que moravam em Salvador e que ela tinha contato ais direto.
Todo sábado a noite ela ia lá em casa, chegava por volta das sete e meia da noite,
contava piadas, nos ensinava a dançar samba de roda e forró, tinha uma expressão
que ficou gravada em cada um de nós "epa rei!" contava os casos mais engraçados
que tínhamos ouvido até então maninha com sua seriedade de Testemunha de Jeová,
religião que professamos dizia: Julia!!!. E ela: ora Tico que besteira (Tico era o nome
de mainha na intimidade da família) e prosseguia contando suas piadas.
Lembro-me de uma vez que ela contou relembrando sobre uma personagem de São
Felix: que dizia : "mamãe batata me faz mal e a mãe dizia: por que e ela respondia :
aquilo, mãe aquilo mãe aquilo", se referindo a menstruação.
Outro personagem era Creanto que dizia: "mãe vou cagar e repetia: mamãe vou cagar! e a mãe respondia irritada; caga e come Creanto." Aquilo nos fazia ter crises de riso e minha mãe de
frustração por querer nos manter na linha e tinha aquela tia que nos tirava dos rumos.
O melhor momento nas visitas de sábado era um programa da Radio Sociedade da
Bahia , que era de música nordestina, um forró gostoso e ela dançava com todos nós as
musica sde Luis Gonzaga, Trio Nordestino, Anastácia, etc, era super divertido.
Tinha dias que ela resolvia lembrar das musicas de Samba de Roda, e nos ensinava o
sapateado, antes Brown, nós já conhecíamos o refrão: "tu não faz como passarinho
que fez o ninho e avoou voou ...voou"
Quando ela anunciava que ia embora era um Deus nos acuda, porque a chave da
porta desaparecia, ate minhá mãe agir com o cinturão de meu pai na mão convencer a quem dera sumiço na chave era outro quarto de hora de muita diversão.
Tia Julia era malondrona, cozinheira num box da feira de Santa Bárbara, na Baixa dos Sapateiro, nunca casou mas sempre teve seu homem, era católica mas sempre vivia num terreiro da
macumba, quando ia a São Felix, se escondia numa casa de conhecidos em
Cachoeira por uns dias, e freqüentava as casa de Candomblé que lá existe, mas sem
minha Vó Dona Joana saber, já que a mesma não gostava de Candomblé.
Minha Vó era um mistério, pertencia a Irmandade da Boa Morte, negra filha e
escravos, mas não gostava de macumba, e Tia Julia apanhava dela apesar da idade
se ela soubesse que tava metida em casa de caboclo.
Certa vez Tia Julia e a tia Nicinha, quarentonas, foram para Cachoeira e lá ficaram numa casa de de candomblé Dona Joana soube, assim como tudo se sabe nas cidades do interior, foi buscar as duas e meteu as mãos nelas que foram para São Felix apanhadas e caladas.
Minha tia Julia depois de curtir muito a vida, não faltar as festas do Bonfim, Conceição,
Rio Vermelho e etc. morreu, foi como ela dizia "um pagode" "pela ordem", deixou
Dona Nieta, e Dona Tico suas irmãs vivas, mas são outras historias.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

VEM AI NOSSAS AFRICANIDADES III NO IFBA DE CAMAÇARI AGUARDEM! JÁ ESTAMOS TRABALHANDO