Quando se fala de racismo, preconceito racial e igualdade racial, no Brasil, as elites intelectual, política e burguesa logo vêm com o discurso de democracia racial e que no Brasil, não há preconceito racial, que vivemos numa sociedade multirracial, sem conflitos. Será? Quando no título deste texto eu uso uma palavra “nova” des-consciência, estou na verdade fazendo provocação a uma reflexão sobre o papel do negro e do branco na sociedade. Por exemplo, que papel deve exercer o educador na consciência e na subconsciência de alunos (as) negros (as) e brancos (as)? Como posso, eu, professor agir para que meu aluno branco (a) se dispa do papel de agente colonizador (a) em relação ao aluno (a) negro (a)? Como meu aluno negro (a) pode se sentir descolonizado em relação ao aluno (a) branco (a)? Não é tarefa fácil para professores. O professor (a) branco (a) neste caso precisa educar seu olhar e percepção a fim de perceber conflitos que existem numa sala de aula entre alunos (as) negros (as) e brancos (as). Precisa perceber nas entrelinhas e intra-sala as falas, os gestos, as afirmações e negações a que os alunos (as) negros (as) são submetidos dentro do processo educativo. Precisa ter sensibilidade, disponibilidade e autoridade moral para corrigir posturas e mediar conflitos sem submeter alunos (as) brancos (as) e negros (as) a constrangimentos, agravando ainda mais o fosso aberto por uma postura racista. Pergunte-se: eu, professor (a), como me vejo? Será que de alguma forma estou contribuindo quer com meu silêncio, quer de forma ostensiva para que alunos (as) da população negra sejam submetidos a humilhações na sala de aula? Como posso ser afetado (a) por isso? Quando determino a formação de equipes de trabalho, observo se há tendência na formação de grupos étnicos na sala? Deixo que meus alunos (as) sejam críticos ou hostis em seus comentários sobre o trabalho de grupos menos favorecidos? O papel fundamental da escola e do professor (a) é bem definido por Botelho: O cotidiano escolar apresenta-se, desse modo, marcado por práticas discriminatórias que condicionam a percepção negativa das possibilidades intelectuais de negros (as) e propicia, ao longo dos anos, a formação de indivíduos – brancos e negros – com fortes idéias e comportamentos hierarquicamente racializados (CAVALLEIRO, 1998; BOTELHO, 2000).Baseando-se nesse conceito cabe ao professor (a) negro (a) indagar-se: quando me olho no espelho vejo-me um negro (a)? Se me vejo, tenho a consciência de que se aqui cheguei foi por romper barreiras, superar limitações e que posso ajudar meus alunos (as) negros (as) a fazerem o mesmo? Mesmo não tendo havido tantas dificuldades, será que consigo identificar as dificuldades de meus alunos (as)? Será que não tive mesmo dificuldades ou a des-consciência não me permitia ver entraves e preconceitos a que fui submetido até chegar aqui? Professores (as) negros (as) serão o espelho na sala de aula onde alunos (as) brancos (as) vejam o cidadão (ã) negro (a) detentor (a) de um saber que talvez na sua concepção e de seus pais deveria pertencer a um (a) branco (a) e deve se impor neste sentido não minimizando seus feitos com postura subserviente. Para o aluno (a) negro (a) o professor (a) negro (a) deverá ser um modelo a ser seguido. Alunos, normalmente têm no professor (a) um modelo; esse professor (a) negro (a) deverá tentar extrapolar este modelo, não só vigiando e corrigindo posturas preconceituosas, mas também, criando posturas afirmativas para o (a) aluno (a) negro (a), sem naturalmente hostilizar ou rebaixar o (a) aluno (a) branco (a), dando de forma democrática oportunidades de expressão ao aluno (a) negro (a), geralmente sem voz na sala de aula, criando mecanismos de integração, descolonizando por assim dizer a cabeça do (a) aluno (a) negro. Segundo Véra Neusa Lopes: A proposta pedagógica deve voltar-se, assim, para um trabalho continuado de valorização das pessoas, povos e nações, num combate permanente às idéias preconcebidas e às situações de racismo e discriminação com que nos defrontamos no dia-a-dia. Este texto não pretende nem poderia esgotar todas as possibilidades de dialogar sobre o que ocorre dentro do espaço escolar sobre tudo na sala de aula, mas abre um leque importante para as discussões da Oficina: O cotidiano da criança negra na sala de aula.
PALAVRAS CHAVES: des-consciência, subconsciência, intra-sala, sensibilidade, disponibilidade, autoridade moral, espelho, posturas preconceituosas,
PALAVRAS CHAVES: des-consciência, subconsciência, intra-sala, sensibilidade, disponibilidade, autoridade moral, espelho, posturas preconceituosas,